"Nada se espalha como o medo" é o mote para o mais recente filme de
Steven Soderbergh. Ao contrário do que estamos habituados a ver, este thriller preocupa-se com o processo anterior à desordem.
Um vírus mortal desconhecido espalha-se a um ritmo alucinante. O número de infectados depressa se torna alarmante. A Humanidade entra em caos absoluto. Passam-se dias até que médicos e Organizações se apercebam da gravidade da situação. Inicia-se o processo de identificação do vírus para que se possa encontrar uma cura. O pânico toma conta do mundo.
Scott Z. Burns, o argumentista, divide as reacções do mundo entre o cidadão comum, os médicos e administrativos das Organizações de Saúde e os media. Há um jogo de equilíbrio e um balanço das diferentes formas de encarar um problema desta envergadura.
Mas a visão de Soderbergh é alarmista e desapaixonada. O seu olhar é distante. Os únicos planos pormenor servem todos o mesmo propósito - mostrar as diferentes formas de contágio. As mãos que tocam em pessoas e objectos, o suor nos rostos, a tosse seca, os olhos vermelhos e dilatados. Para um tema delicado como este (afinal, há a possibilidade da raça humana terminar precisamente desta forma), são passados muito poucos sentimentos, não há grandes emoções. Uma visão fria, um olhar clínico.
O elenco, está à vista, é soberbo. O filme, como me disseram, é pouco recomendado a hipocondríacos ou a obessivo-compulsivos.